
Técnico agrícola pelo Colégio Agrícola Manoel Ribas de Apucarana, em 1969; Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1973; Mestre em Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em 1980; Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em 1987; Pós-doutor pela National Institute of Agrobiological Sciences (Nias), Japão; Especialista em Hibridação assexuada por fusão de protoplastos, pelo National Institute of Agrobiological Resources (Japão), em 1990; Especialista em Melhoramento por mutação induzida por radiação crônica, pela National Institute of Radiation Breeding (Japão), em 2001
Nascimento: Nova Fátima (PR), 6 de setembro de 1951
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR)
No interior do Paraná em que Tumoru Sera nasceu, havia mar: um mar de café. O pequeno descendente de japoneses não teve escolha: desde criança trabalhou com a planta e teve sua vida inteira definida pela espécie, tanto nas colheitas na sua propriedade quanto nos resultados em seu laboratório. Criado em colônia japonesa, o pequeno Tumoru foi ter acesso à Língua Portuguesa somente aos oito anos, quando entrou na escola formal, e chegou a levar puxão de orelha dos professores por muitas vezes não compreender o que se passava.
Tumoru – hoje engenheiro agrônomo, pesquisador, geneticista, consultor agronômico, e cafeicultor agricultor – trabalhou duro dia e noite desde criança. “A gente trabalha contra o tempo. Na agricultura, nosso hobby é trabalhar”, conta, antes de admitir que quando há uma brecha nas atividades, gosta de pescar. “Mas tem que levar a sério, tem que estar concentrado, tem que conversar com o peixe. Se ficar pensando na safra, nas contas a pagar, não se pesca nada”.
Íntimo do café desde que nasceu, Tumoru levou seus conhecimentos empíricos da plantação para o laboratório, capacitou-se para além de qualquer expectativa – tendo ido buscar conhecimentos de mutação e melhoramento genético no Japão – e suas pesquisas chegaram a ser reconhecidas como divisores de água na cafeicultura brasileira. As variedades que ele desenvolveu, além dos estudos, têm reconhecimento nacional e internacional e garantiram aumento da produtividade, da qualidade, redução de custos de produção e maior rentabilidade.
A três dias de completar seu 23° aniversário, Tumoru ingressou no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar), onde pôde desenvolver uma vida de pesquisa ligada ao café. Ele e sua equipe desenvolveram, por exemplo, a IPR 100 e a IPR 106, as únicas variedades de café arábica do mundo que são resistentes a três espécies de nematoides (um tipo de microvermeparasita), com potencial produtivo e qualidade arábica com genes de café libérica e robusta, respectivamente, com resistência a calor, seca e solo pobre. No total, foram 13 cultivares de café arábica de portes baixos registrados no Ministério da Agricultura, todos com genes de resistência à ferrugem, sendo duas também resistentes aos nematoides e uma resistente a duas espécies da bacteriose Pseudomonas. Além disso, Tumoru possui duas patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) para mecanização na agricultura e publicou 50 trabalhos completos em revistas científicas, 15 capítulos em livros e um livro. Reduziu o tempo de desenvolvimento de cultivares de café a partir da hibridação com a cultivar IAPAR 59 com cinco genes de resistência completa à ferrugem, de 36 para 15 anos. Foi realizado no caso da cultivar IPR 107, de tipo linhagem, transferindo simultaneamente mais de quatro genes de resistência completa por cruzamento teste. Propôs e encaminhou o uso de cultivares híbridas e clones no futuro próximo e deixou um valioso banco de germoplasma composto por acessos de C. arabica da Etiópia proveniente do centro de origem da espécie, germoplasmas com genes de C. canephora, liberica, C. eugenioides e C. racemosa no C. arabica. Aposentou-se em 2009 do Iapar, como melhorista genético de café, mas continua como voluntário tutor na Unidade de Melhoramento de Café do Instituto, como bolsista do Consórcio Pesquisa Café.
Foi líder do Programa Café por quatro anos e gerente do Projeto Café do Iapar desde a criação do Consórcio Pesquisa Café/Embrapa Café. Coordenou o III Simpósio Internacional da Biotecnologia na Cafeicultura 1999 em Londrina. Atualmente também é cafeicultor, consultor agronômico nacional e internacional na Bolívia e em Angola, e se mantém como consultor em cultivo de café para fazendas e difusor de tecnologia em cultivos adensados de café e pós-melhoramento de cultivares de café do Iapar. Como voluntário e diretor agrícola de uma associação beneficente de Londrina, coordena o Simpósio e a Fazendinha Agroinovatec/Exposição Agrícola/ExpoJapão. Como cafeicultor, é campeão estadual de café qualidade Paraná em 2009, ganhador do Prêmio Kiyoshi Yamamoto 2010, concedido pela Associação Brasileira da Cultura Japonesa, de São Paulo, e da Comenda Braslider em Agronomia 2017, concedida pela Associação Brasileira de Liderança de São Paulo. Integra, ainda, a Comissão Técnica do Sindicato Rural de Londrina (Faep), e a Diretoria da Associação Rede Agrovida Orgânicos.
Entre ser pesquisador e cafeicultor, Tumoru diz que prefere ser cafeicultor, mas faz a ressalva: “monocultura é suicídio”, explicando que também se dedica a outras atividades agrícolas, assim como na pesquisa: participou do melhoramento genético de maracujá e acerola. Casado com Alice, Tumoru é pai de Rogério e Gustavo, caçula que seguiu os passos do progenitor e, hoje, funcionário do Iapar, é chefe do pai bolsista. A equipe de produção deste Livro do Mérito tentou descobrir se a preferência de Tumoru era por expresso ou coado, mas a resposta foi um pouco mais complexa do que o esperado. “Gosto dos dois, expresso e coado com suas variantes, e mais o solúvel arábico, especial, mas frio ou quente, em 200ml de água, o qual considero mais prático. Estou ingressando no café nutracêutico e aí incluiria chá de casca de café orgânico com adicional de vitamina A, que não tem nos grãos, mas com sabor agradável”.