Lúcio Antônio Alves de Macêdo

Engenheiro Civil pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), em 1977; Especialista, Mestre e Doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), em 1982, 1986 e 1994, respectivamente; Especialista em Engenharia de Transportes pela USP-São Carlos, em 1993

Nascimento: São Luís (MA), 14 de outubro de 1953
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (Crea-MA)

Ao longo de cinco décadas, a atuação do engenheiro Lúcio Antônio Alves de Macêdo contribuiu muito para mitigar os impactos sanitários e ambientais de São Luís e do Maranhão. Em trabalhos junto à prefeitura e ao governo, e ainda a empresas como a Vale do Rio Doce, o professor contribuiu para a criação de cursos de engenharia ambiental e tornou-se referência para gerações de profissionais da área. Da graduação ao doutorado e suas orientações, o papel do saneamento ambiental como fator de saúde pública foi expresso ainda no Código de Meio Ambiente do Maranhão, de São Luís e de outras cidades do Estado, na consultoria e perícia de centenas de projetos e na publicação de 11 livros entre 1991 e 2011.

A admiração pela Engenharia foi incentivada quando seu irmão, Antônio José Alves de Macêdo, integrou a primeira turma de Engenharia Civil da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). “Eu já gostava de Matemática, mas meu irmão e os colegas estudavam lá em casa e isso me despertou para a Engenharia. Acabei entrando na quarta turma. Queria desenvolver algo com uma extensão maior, e a área que me despertou para auxiliar a comunidade e o meio ambiente foi o saneamento. O professor da disciplina de Higiene e Saneamento, engenheiro sanitarista João Rodolfo Ribeiro Gonçalves, me estimulou às campanhas de saúde pública. Queria isso, já que o Maranhão tinha, e tem até hoje, os piores índices de saneamento”, considera.

Com a formação complementar em Engenharia Sanitária e Ambiental adquirida junto à USP, Lúcio Antônio esteve à frente de centenas de projetos da área. Segundo ele, a ida à USP se deveu a uma parceria que reconheceu os melhores alunos da Uema. “Em 1978, passei para o mestrado na Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande, mas não fiquei nem um mês porque fui aceito pela Hidroservice, que tinha uma equipe muito experiente. Não pensei duas vezes”, descreve.

Durante três anos, Lúcio Macêdo pôde participar de obras como a da hidrelétrica de Itaipu, metrô de São Paulo, aeroporto de Guarulhos e ampliação do Galeão. “Foi uma época muito rica. Durante dois anos acompanhei de perto talvez o maior projeto de saneamento do país, o Sanegran, tocado pelo engenheiro Paulo Maluf. Depois, aceitei o convite do governo do Estado do Maranhão para ser o engenheiro chefe do Italuís, desenvolvendo estudos e projetos para garantir o abastecimento de água de São Luís. Acabei retornando também porque sempre tive vontade de entrar no mundo acadêmico, o que se deu por meio da Uema, entre 1980 e 2017”.

Na especialização e em cursos de extensão na área de saneamento, Lúcio Antônio manteve contato ainda com a Sabesp e a Cetesb. “Elas eram clientes da Hidroservice e pude fazer diversos cursos que foram fundamentais para acompanhar o ritmo da empresa. Quando fizemos a extensão na USP, fiz dois ou três cursos aos finais de semana, sempre voltados à hidrologia, hidráulica e instalações prediais. Quando concluí o projeto de abastecimento de água, fiz uma especialização plena aberta na USP, mantendo o vínculo com a Caema (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão)”, considera.

Um dos professores da especialização o incentivou a concorrer ao mestrado. “Fui aprovado, mantendo os vínculos com a universidade e a Caema porque já estava com família”, diz, referindo-se à pedagoga Adalgisa Maria Souza de Macedo e aos filhos Alessandra (terapeuta ocupacional) e Luciano (administrador de empresas). Lúcio Macêdo ressalta que a Eco-92 incentivou as discussões da área ambiental no país. “Faltavam profissionais e me inclinei pela área ambiental, cobertura de água, esgoto, drenagem e coleta de resíduos, deficitários em São Luís. Ressaltava nas linhas de pesquisa o saneamento de baixo custo”, cita.

Ao retornar, iniciou sua atuação como consultor em empresas e órgãos públicos. Na segunda metade dos anos 1990, Lúcio já participava da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). “Faltava engenheiro. Foi um tempo difícil. Fazia bicos para as empresas de engenharia. Dei aulas em cursos de pós-graduação em São Luís, mas faltavam braços para tocar a engenharia ambiental no Maranhão. Com a Universidade Ceuma, criamos o primeiro curso de engenharia ambiental do estado”, comenta.

Sobre sua trajetória, Lúcio Antônio destaca ainda o ângulo técnico dos projetos e obras executados na sua carreira profissional, em atividades na Caema, prefeitura de São Luís e nos projetos sociais desenvolvidos junto à Vale do Rio Doce. “A empresa tinha por obrigação fazer projetos de qualidade de vida ao longo da Estrada de Ferro Carajás, como serviços de limpeza pública, redes coletoras e sistemas de tratamento de esgotos”, diz o ex-assessor de meio ambiente da empresa.

“Fizemos o aterro sanitário de São Luís que até 1991 era na cidade”. Para a empreitada, Lúcio idealizou e recolheu dados em pesquisas com alunos. “Retiramos o lixo de dentro da cidade de São Luís”. Nas consultorias, fazia os estudos ambientais para os projetos, algo que já conhecia na época do governo. “A Caema me ‘emprestava’ porque não havia quadros para o controle da poluição. Tínhamos esse compromisso de melhorar a balneabilidade das praias, então prestava essa assessoria. E coordenava o trabalho com outras especialidades, experiência que levei para a COP Meio Ambiente, onde produzimos um material que hoje serve de subsídio para o Ministério Público”, considera.

O esforço e a dedicação são lembrados até ao comentar a maior homenagem do Sistema Confea/Crea. “Ao longo da atividade profissional, pude me envolver com as comunidades, com diversos setores. Eu me sinto honrado por ter essa distinção, pela sensibilidade dos profissionais em reconhecer esses trabalhos junto às esferas pública e privada, visando melhorar a qualidade de vida das pessoas. Não esperava, são poucos maranhenses agraciados e isso coroa as nossas atividades”.