
Engenheiro Civil pela Universidade de Brasília (UnB), em 1971
Nascimento: Campo Florido (MG), 03 de dezembro de 1944
Falecimento: Brasília (DF), 05 de julho de 2018
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF)
Luiz Carlos Botelho Ferreira, filho de pioneiros de Brasília, nasceu em Campo Florido (MG). Ainda menino, viu a capital federal surgir no horizonte, enquanto acompanhava seus pais e a irmã na audaciosa jornada rumo ao coração do Brasil. A família, movida pelo convite do presidente Juscelino Kubitschek, deixou as montanhas mineiras para desbravar um novo futuro no planalto central.
Seu filho, o engenheiro civil Pedro Ferreira, recorda com ternura as muitas faces do passado do homenageado, um homem de habilidades diversas que trabalhou como engraxate, sapateiro e até lavador de ônibus no açude. Em sua jornada, acumulou mais de dez profissões, cada uma esculpindo seu caráter e determinação. Embora seu avanço escolar tenha sido tardio, sua persistência o conduziu aos estudos até que se tornasse um dedicado professor de matemática, uma paixão que equilibrava com as longas horas ao volante de um táxi.
Luiz Carlos, amante da matemática, foi um pioneiro como professor no Colégio Leonardo da Vinci, em Brasília (DF). “Meu pai não se contentava apenas com os números; ele era um homem apaixonado pela transformação – tanto de vidas humanas quanto de estruturas concretas. Acredito que o que o motivou a escolher a engenharia como profissão foi o poder de transformar vidas, criar soluções e ajudar o próximo. Além disso, havia a necessidade de alcançar uma nova condição de vida, um impulso que se alinhava com os audaciosos planos de Juscelino Kubitschek na construção da capital federal”, esclarece.
Impulsionado por essa dedicação à transformação, o engenheiro assumiu diversas frentes ao longo de sua carreira. Presidiu o Fórum Empresarial do Distrito Federal, chefiou o Serviço de Cadastro da Novacap e desempenhou um papel ativo no Conselho de Administração do Metrô-DF. Com um espírito incansável, atuou como vice-presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) e levou expertise à Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco) como diretor imobiliário. Contudo, o trabalho sindical em benefício do setor da construção civil sempre esteve entre suas pautas, motivo pelo qual, em boa parte de sua trajetória, esteve envolvido com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Distrito Federal (Sinduscon-DF).
Além dessas contribuições, sua visão empreendedora contribuiu significativamente para o desenvolvimento econômico da região. Ao fundar a LDN Empreendimentos de Engenharia e a Construtora LDN, criou oportunidades de emprego para milhares de profissionais ao longo de mais de 30 anos, consolidando essas empresas como algumas das maiores e mais influentes do Centro-Oeste e do Brasil. Seu impacto na economia local e nacional é um reflexo tangível de sua paixão por transformar não apenas a infraestrutura, mas também a vida das pessoas ao seu redor.
Entre suas grandes realizações estão obras emblemáticas que moldaram o início de Brasília, como o viaduto W3 Sul e Norte, o Clube do Congresso, a Telebras, o Clube do Exército, o Hospital do Gama e os primeiros residenciais da Asa Sul e Norte. Para honrar essa trajetória, o Governo de Brasília inaugurou, em 2023, o viaduto da Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig), que conecta o Setor Sudoeste ao Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, agora batizado com o nome de Luiz Carlos Botelho Ferreira. Este viaduto eterniza a história de um homem cujas vida e obra se materializaram nas fundações da capital. “Esta obra representa um marco para a cidade, comparável aos viadutos da W3 Sul e Norte, que também foram assinados pelo meu pai. Ela imortaliza as conquistas de um homem que dedicou sua vida inteira a Brasília”, disse o filho Pedro.
Segundo a família, o vasto portfólio e as obras que carregam a marca de Botelho refletem os inúmeros desafios que ele enfrentou na engenharia ao longo dos anos. Essas adversidades muitas vezes restringiram seu tempo de convívio familiar. No entanto, mesmo com as demandas intensas de seu trabalho, Botelho sempre encontrou maneiras de ser um pai e marido carinhoso e presente. Seu amor e sua dedicação à esposa Suely e aos filhos Alessandra, Andrea, Ana Claudia e Pedro eram evidentes em cada gesto, sendo para todos um exemplo de afeto e comprometimento.
Em 2017, sua significativa contribuição a Brasília foi reconhecida com o título de cidadão honorário da cidade. Agora, em 2024, o Sistema Confea/Crea homenageia esse pioneiro, destacando a importância de sua obra para a engenharia e para o progresso do Brasil, ao conceder-lhe as Honrarias do Mérito.