José Neutel Correia Lima

Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1950; Bacharel e Licenciado em Matemática pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em 1952 e em 1953, respectivamente

Nascimento: Recife (PE), 04 de dezembro de 1921
Falecimento: São Paulo (SP), 05 de outubro de 1997
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB)

José Neutel Correia Lima é considerado um dos pernambucanos mais queridos da Paraíba, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do estado. Sua atuação foi determinante tanto na infraestrutura quanto na criação dos cursos de Engenharia Civil e Matemática em João Pessoa.

Apesar de sua formação em Pernambuco, foi na Paraíba que ele deu início à sua carreira. Em João Pessoa, ele atuou como engenheiro no Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PB) e foi um dos pioneiros no movimento para a criação do curso superior de Engenharia Civil na cidade. A história dele com as terras paraibanas teve início em 1953, quando foi convidado para integrar o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB), onde atuou em diversas diretorias, inclusive como diretor-geral. Lima também esteve à frente da diretoria do Departamento de Saneamento do Estado da Paraíba, entre 1954 e 1957, onde executou obras importantes no estado, como a expansão do sistema de esgotos da cidade de Campina Grande e os sistemas de abastecimento de água de Guarabira e de Mamanguape.  

Correia Lima também esteve à frente da construção de dois estádios: o Almeidão, em João Pessoa, e o Amigão, em Campina Grande. Devido a questões políticas, essas obras foram concluídas em um tempo notável de apenas 14 meses, sendo inauguradas em 1975. Durante seus 15 anos dedicados à Paraíba, incluindo seu tempo no Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PB), na Superintendência dos Estádios da Paraíba (Sudepar), na Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa), Correia Lima deixou uma marca indelével. Segundo o amigo José Carlos Dias de Freitas, então diretor-geral do DER-PB, a trajetória exemplar de Correia Lima foi marcada pela operosidade, competência e senso ético-moral. Freitas descreve Correia Lima como "além de amigo certo das horas incertas, um pernambucano de nascimento e paraibano por amor e adoção, meu braço direito. A Paraíba e Pernambuco muito lhe devem pelos qualificados serviços prestados nos setores da educação, saneamento básico e engenharia dos transportes".

A educação era uma das paixões do engenheiro, que plantou as sementes do saber ao participar da fundação da Escola de Engenharia da Universidade da Paraíba (EEUP), em 1952, e do Instituto Central de Matemática da Universidade Federal da Paraíba (Icemup). Como um mestre dedicado, ocupou a cátedra de Cálculo Diferencial e Integral, iluminando mentes na Escola de Engenharia, hoje conhecido como Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em reconhecimento à sua trajetória, em 1987 a Universidade Federal da Paraíba lhe concedeu a maior honraria acadêmica: o título de Professor Emérito. Em 1981, quando se aposentou da UFPB e retornou à sua cidade natal, foi o Clube de Engenharia da Paraíba o destinatário da doação de grande parte da sua biblioteca pessoal.

O atual presidente da Academia Paraibana de Engenharia (Apenge), Sérgio Rolim Mendonça, evoca com carinho o prestígio do amigo, que ocupa, como Patrono, a Cadeira nº 22. “A inclusão de José Neutel Correia Lima na galeria dos Patronos da Apenge enriquece essa ilustre coleção de figuras notáveis e faz justiça ao profissional que tanto dignificou a engenharia paraibana", declara, com reverência. Lima, além de ser um farol de sabedoria, foi honrado com o título de Cavaleiro da Ordem dos Guararapes, a mais elevada comenda concedida pelo estado de Pernambuco, destinada àqueles que se destacaram por méritos excepcionais ou por relevantes serviços prestados ao estado. Assim, José Neutel Correia Lima, com seu espírito incansável e suas contribuições inestimáveis, eterniza-se nas páginas da história e do Sistema Confea/Crea.