
Engenheiro Civil, em 1965, e Engenheiro de Segurança do Trabalho, em 1974, pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
Nascimento: Belém (Pará), 2 de julho de 1941
Falecimento: Belém (Pará), 30 de dezembro de 2023
Indicação: Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança (Sobes)
Proteger trabalhadores de acidentes foi a nobre missão que norteou a trajetória do engenheiro civil e de segurança do trabalho Harold Stoessel Sadalla. Com uma visão humanista, ele dedicou 58 anos de sua vida ao aprimoramento da Engenharia de Segurança do Trabalho no Brasil, construindo um legado de proteção que ressoa em cada instituição por onde passou.
Filho de libaneses que encontraram no interior do Pará um refúgio de paz e boas perspectivas, Sadalla foi o primeiro da família a conquistar diploma de graduação. Formado pela Universidade Federal do Pará, ele transformou seu título de engenheiro em uma importante ferramenta social, implementando melhorias que beneficiaram o estado que acolheu seus pais e lhe abriu as portas para um futuro promissor.
A trajetória como engenheiro civil teve início na Secretaria de Obras da Prefeitura de Belém, em 1967, ano em que concluiu especialização em Hidrologia e Pavimentação Rodoviária. Na década seguinte, começou a atuar na área de Segurança do Trabalho, já envolvido em um grande projeto do qual se orgulhava: a construção da ponte Sebastião R. de Oliveira. Com 1.457,35 metros, a obra diminuiu a distância entre Mosqueiro e o centro da capital. Por quase meio século, a travessia até a ilha foi feita exclusivamente por balsas. Construída pela Mosqueiro Empreendimentos e Turismo S. A. (Meta), empresa em que Sadalla trabalhava, a ponte, também conhecida como Belém-Mosqueiro, foi inaugurada em 1976, tornando o distrito mais acessível para a população e atraindo uma maior quantidade de turistas para as praias de água doce.
Ainda no ramo de Segurança do Trabalho, Sadalla contribuiu significativamente para a construção da hidrelétrica do Paredão em Macapá (AP), entregue em 1976, e atuou na Companhia Amazônica de Pesca, entre 1974 e 1993. No período de 1977 a 1980, prestou serviço para a Indústria Madeireira Banakoba.
Com especializações em Organização e Métodos, Desenvolvimento de Áreas Amazônicas e Avaliação e Perícias, Sadalla desempenhou outros trabalhos na área de Engenharia enquanto membro do Conselho Rodoviário do Estado do Pará, entre 1974 e 1988. Foi fiscal da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), em 1978, e da Secretaria de Habitação de Belém (Sehab), em 2001. Além disso, foi perito avaliador junto ao Fórum Cível de Belém e das Varas Trabalhistas do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Enquanto empresário e engenheiro responsável técnico, esteve à frente de diversas obras não somente no Pará, mas no Amazonas, no Amapá e no Maranhão.
Sadalla ampliou a atuação profissional liderando entidades de classe com seriedade e comprometimento. De 1979 a 1988, foi presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Pará (Senge-PA). Por diversos mandatos, presidiu a Associação de Engenharia de Segurança do Trabalho do Pará (Aest-PA), onde trabalhou com afinco para que a entidade fosse registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA). Com postura sempre atuante e espírito associativista, o engenheiro representou ambas instituições no plenário do Crea-PA. Pelo Senge-PA, cumpriu sete mandatos entre 1978 e 2005, e pela Aest-PA, foi conselheiro em dois mandatos de 2008 a 2013.
A atuação no Crea-PA foi expressiva, tendo ocupado os cargos de diretor, presidente da Comissão de Contas, membro das comissões de Ética, de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, do Mérito, da Renovação do Terço e de Segurança do Trabalho. Foi ainda coordenador dos 4º e 8º Congressos Estaduais de Profissionais do Sistema Confea/Crea, da Comissão de Segurança do Trabalho, da Comissão Eleitoral, da Câmara Especializada de Engenharia Civil e também da Câmara Especializada de Engenharia Civil, Geologia e Minas e Segurança do Trabalho.
O trabalho desenvolvido no Pará alçou Sadalla ao cenário nacional, levando-o a assumir duas Coordenadorias de Câmaras Especializadas: a de Engenharia Civil e a de Segurança do Trabalho. Ambos fóruns consultivos do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) são compostos por representantes dos Creas e têm a função de apreciar e julgar assuntos relacionados à fiscalização do exercício profissional e sugerir medidas para o aperfeiçoamento das atividades dos Conselhos Regionais.
Na Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Segurança do Trabalho, Sadalla concentrou esforços para expandir o número de câmaras nos estados. Essa iniciativa foi particularmente notável. Em 2009, apenas um ano após a instalação da coordenadoria nacional, existiam sete câmaras estaduais; hoje, 16 unidades federativas possuem representação no fórum consultivo, o que reflete o impacto significativo da liderança de Sadalla.
Seu engajamento e visão estratégica foram igualmente fundamentais para fortalecer a Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança (Sobes), onde ele assumiu tanto a vice-presidência quanto o posto mais alto da instituição. Sob sua condução, a Sobes se consolidou como referência na promoção de práticas seguras e inovadoras na Engenharia, ampliando sua influência em todo o Brasil.
Sadalla empenhou-se em levar conhecimento sobre Segurança do Trabalho aos rincões do país, possibilitando que tanto profissionais quanto a sociedade tivessem acesso a informações essenciais sobre prevenção e minimização de riscos de acidentes de trabalho. Simultaneamente, ele expandiu as fronteiras da Sobes e ampliou o intercâmbio com diversas entidades de países de língua portuguesa, promovendo cooperação internacional para troca de experiências no campo da segurança.
Ao longo das quase seis décadas de carreira, Harold Stoessel Sadalla exemplificou o verdadeiro espírito da Engenharia, em que técnica e humanismo se entrelaçam. Sua perseverança para garantir ambientes laborais mais seguros não apenas elevou os padrões da Engenharia de Segurança do Trabalho, mas também motivou uma geração de profissionais a atuar comprometidos com o bem-estar dos trabalhadores. Seu legado continuará a inspirar engenheiros a proteger vidas no Brasil, perpetuando-se nas instituições que ajudou a moldar e, especialmente, na memória daqueles que tiveram o privilégio de desfrutar de sua amizade e aprender com seu profundo respeito pelo valor humano.