
Engenheiro Agrônomo, em 1971, e Mestre em Fitotecnia, em 1973, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV); Doutor em Ciência do Solo pela Universidade do Missouri-Columbia, Estados Unidos, em 1979
Nascimento: Carmo do Paranaíba (MG), 26 de junho de 1946
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG)
Agrônomo de formação, Liovando Marciano da Costa nunca se limitou aos conhecimentos básicos de sua área. Seu profundo interesse pela Química do Solo e Geologia o transformou em um dos mais respeitados estudiosos desse campo. Incansável em sua busca pelo saber, Liovando é, acima de tudo, um pesquisador entusiasta e um professor por vocação, cujas contribuições inspiram e educam futuras gerações.
Motivado pela busca dos porquês da vida, Liovando decidiu estudar Agronomia logo após concluir o curso de técnico agrícola. Foi na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, que iniciou seus relevantes estudos sobre uso racional e manejo de recursos naturais, principalmente do solo e da água, com foco na agricultura sustentável.
“O solo é o grande armazenador de água, que precisa ter o espaço poroso livre para a água infiltrar. Caso contrário, o escoamento de água superficial pode causar erosão, transportando tanto o solo como seus diversos constituintes, causando muitos problemas ambientais. Então, se você bloquear a infiltração de água no solo, ele não vai armazenar a quantidade de água necessária para consumo. Por isso, a agricultura de alta intensidade precisa ser estudada e estruturada com base em técnicas da Agronomia”, alerta o doutor em Ciência do Solo, que construiu uma trajetória exemplar no meio acadêmico.
Entre as significativas contribuições para a formação de novos profissionais, Liovando foi professor assistente e adjunto na UFV, no início da década de 1980, e coordenou a Pós-graduação em Solos e Nutrição, no período 1993-1998. Na sequência foi alçado à função de pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, permanecendo até o ano 2000. Já de 2006 a 2008, foi o primeiro diretor do novo campus da UFV de Rio Paranaíba, onde foram criados os cursos de Agronomia, Administração, Ciência de Alimentos e Sistemas de Informação. “Essa foi uma fase de intensa dedicação ao ensino de graduação”, recorda o educador que ocupou o cargo de coordenador-geral da Central de Experimentação, Pesquisa e Extensão do Triângulo Mineiro em Capinópolis (MG), de 2005 a 2008. Também formou 32 mestres e 37 doutores, como orientador principal, e supervisionou três pós-doutoramentos de 1983 a 2013. Foi coorientador de mais de 96 estudantes de mestrado e de doutorado.
Em outras frentes, Liovando foi coordenador de Ciências Agrárias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de 1997 a 2001, quando viajou pelo Brasil para avaliar propostas de novos cursos de pós-graduação e bolsa no exterior. Atualmente, é consultor ad hoc na Coordenação-Geral de Cooperação Internacional da Capes. Na década de 1980, atuou como pesquisador em serviços técnicos especializados sobre manejo de solo, com foco em reflorestamento, produção de cana-de-açúcar e soja em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
A prosperidade profissional de Liovando foi pressagiada ainda durante o pós-doutorado nos Estados Unidos, no final da década de 1970. Para o orientador Chris J. Johannsen, Liovando “foi um dos mais brilhantes e mais capazes estudantes que alcançaram o grau de Ph.D. na Universidade de Missouri-Columbia e antevejo um grande futuro em sua carreira profissional”, afirmou ao jornal da UFV, que anunciava o retorno de Liovando às atividades da universidade mineira. Na edição, Johannsen ressaltou ainda que o mais novo Ph.D. fora “indicado pelo Departamento de Agronomia da Universidade de Missouri-Columbia para a Sociedade Científica e Honorária Sigma Xi, uma das mais prestigiosas organizações científicas dos Estados Unidos”. Em 2023, foi nomeado como Sigma Xi Fellow.
Ao longo de sua trajetória de contribuição para o desenvolvimento da agricultura e preservação do meio ambiente, o engenheiro agrônomo continuou a conquistar reconhecimentos expressivos. Em 2001, foi premiado no Concurso Andrés Aguilar Santelices, no XV Congresso Latino-Americano de Ciência do Solo e no V Congresso Cubano de Ciência do Solo. No ano seguinte, recebeu a Comenda Antônio Secundino de São José, do Governo do Estado de Minas Gerais. Em 2015, seu estudante de doutorado e cinco outros autores, incluindo o orientador, ganharam o Prêmio Jovem Cientista, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
Prolífico na produção científica, Liovando tem 265 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais. Além disso, assina 35 capítulos e cinco livros. O mais recente faz parte do projeto de vida do engenheiro agrônomo de levar adiante o conhecimento reunido nestes 53 anos de profissão. “Intensidade de uso e ocupação dos solos das bacias hidrográficas dos rios Araguari e Paranaíba: diretrizes sustentáveis para o desenvolvimento do agronegócio” foi organizado por Liovando em parceria com outros três autores.
A obra destaca o papel do solo nas práticas de preservação dos recursos hídricos abordando temas relativos à agricultura familiar e empresarial, como salienta a filha de Liovando no prefácio da publicação. “Creio que o objetivo maior do livro seja contribuir para uma conscientização crítica sobre a importância da água na vida de todos nós”, afirma Cláudia Costa Carvalho. Ela recorda que, desde pequena, ouvia o pai falar sobre a relevância da água e as possíveis consequências do desperdício desse recurso natural. “Aos poucos, já mais velha, pude perceber que a preocupação com recursos naturais em geral vinha acompanhada de longos anos de estudo e pesquisa”, constata a filha, confirmando que Liovando cumpriu a missão de educar futuras gerações. Mais do que isso, o engenheiro agrônomo segue transformando conhecimento em ação, deixando um impacto duradouro na ciência e na sociedade.