José Elias Moreira

Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em 1967

Nascimento: Poços de Caldas (MG), 20 de julho de 1940
Falecimento: São Paulo (SP), 15 de março de 2023
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS)

“Ele vivia no amanhã, não no hoje”, diz a viúva de José Elias Moreira, Adenil, ao relembrar sobre a postura do engenheiro agrônomo que queria construir um aeroporto em Dourados para colocar a cidade no circuito dos grandes negociadores do país. José Elias faleceu antes de realizar seu sonho, mas em nenhum momento desistiu: no seu caminho para concretizá-lo, foi prefeito, secretário estadual e até deputado federal constituinte.

“Ele tinha Dourados no centro e os dois sonhos eram: aeroporto e ferrovia. Paralelamente a isso, ele era apaixonado por política, em ver o bem do povo, em ver o povo crescer”. Nascido em Poços de Caldas (MG) em uma fazenda, José Elias fez curso de técnico agrícola e posteriormente foi estudar agronomia. Embora ele tenha logo passado a se dedicar à vida política, sua atuação foi sempre voltada ao meio ambiente, de modo que nunca se afastou de sua área de formação. “Ele falava muito em cooperativa e estava sempre conversando sobre as espécies de plantas. Era uma biblioteca ambulante”, lembra-se Adenil.

Em 1958, José Elias Moreira se mudou para Dourados, ainda bem antes de se formar agrônomo. Em 1976, agora já engenheiro, foi eleito prefeito da segunda maior cidade do futuro Mato Grosso do Sul (o estado só seria dividido no ano seguinte). Na sua gestão, construiu quatro conjuntos habitacionais (BNHs), que incluíram os Centros Poliesportivos e Recreativos (Cepers) espalhados pela cidade. Também é dele a iniciativa de realizar os estudos para a primeira rede de água pluvial da cidade, que viria a ser o Plano Diretor do município. Sob sua gestão também foram inaugurados dois parques ambientais e um terminal rodoviário.

Em 1986, José Elias foi eleito deputado federal e participou da elaboração da Constituição Federal, promulgada em 1988. Em 1990, foi reeleito para a Câmara dos Deputados e encerrou o mandato em janeiro de 1995. “Não importa se era em nível local ou em nível nacional, ele era um verdadeiro político, pensava como um estadista. Às vezes eu reclamava e meu filho dizia: ‘Mãe, quando o pai fala de política, ele vive!’”, recorda-se Adenil. Como deputado constituinte, desempenhou um papel importante como primeiro vice-presidente da Comissão da Família, Educação, Cultura e Esportes, Ciência e Tecnologia e Comunicação, além de ser membro da Subcomissão da Ciência e Tecnologia e Comunicação dentro da mesma comissão. Após a promulgação da Constituição, integrou a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática em 1989, além de ser suplente nas comissões de Agricultura e Política Rural e de Minas e Energia.

Na gestão pública mais diretamente, dois cargos se destacam no currículo de José Elias: entre 2003 e 2006 foi secretário estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, e em 2017 foi secretário municipal de Planejamento em Dourados. Outras de suas contribuições ao longo de sua vida profissional foram como chefe do então Instituto do Desenvolvimento Agrário, como sócio-fundador da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados, diretor-presidente da TV Caiuás, presidente da Cooperativa Habitacional dos Funcionários Públicos e Bancários de Dourados, chefe do Departamento de Estradas de Rodagem da Municipalidade Douradense, secretário geral da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), vice-presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados (Aeagran), presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Municípios (Assulmat) e presidente do conselho deliberativo da (CNM).

No parco tempo livre, José Elias poderia ser encontrado em uma quadra jogando basquete (talvez em um Ceper que ele construiu) ou na companhia de sua família: sua esposa Adenil – com quem ficou 51 anos casado –, e seus filhos José Elias, Lidiane e Joaquim. “Engraçado que ele era apaixonado por Dourados, e não era a cidade dele. É como se ele tivesse adotado a cidade. Tudo o que ele queria é que Dourados estivesse no centro. Colocar Dourados no mapa: esse era o sonho do Zé”.