Eduardo Miers

Engenheiro de Operação - Máquinas e Motores pela Faculdade de Engenharia de Joinville, em 1969; Economista pela Faculdade de Ciências Econômicas de Joinville, em 1973; Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em 1974; Especialista em Engenharia de Produção pela Udesc, em 1979

Nascimento: Joinville (SC), 11 de agosto de 1928
Falecimento: Joinville (SC), 20 de abril de 2018      
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC)

Uma das últimas descobertas do engenheiro de operação e engenheiro de segurança do trabalho Eduardo Miers foi a possibilidade de “navegar” pelas páginas da internet. “É tudo gratuito?”, questionava ao sobrinho engenheiro eletricista Igor Hagemann, que o introduzia ao mundo virtual. Acostumado a velejar nas águas de Joinville, Miers se dedicava ainda a outros hobbies igualmente interativos, como voar, viajar de moto, ler e ouvir jazz, além de tocar músicas folclóricas junto ao grupo Harmônicas de Joinville.

A disposição que o fez ser aprendiz e auxiliar de farmacêutico, trabalhar em construtoras ainda antes de iniciar sua formação acadêmica era mantida até mesmo para compartilhar as frequentes mudanças de maré que provocam alagamentos na cidade catarinense. “Era meu expert em maré, que me informava sempre que a cidade poderia ser alagada”, conta a amiga Sueli Freitas.

Convidada para representar a família na cerimônia da Láurea ao Mérito, a secretária do Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville (Ceaj) conta outras lembranças mantidas ao longo de 12 anos de convivência. “Desde 2006, eu o atendi muito, tinha um carinho muito especial pelo senhor Eduardo. Ele já fazia parte do Centro como associado quando entrei. Ele tocava harmônica e era muito educado, solícito e sério”.

Presidente do Ceaj, o engenheiro mecânico José Thales Puccini fala do gosto em comum pelos carros antigos. “Eduardo gostava de desenhar e pintar quadros de carros, o que me propiciou receber um presente muito raro, um desenho em guache de um Sp2, carro que ele teve e eu coleciono. Peça esta que guardo com especial carinho”. Ex-aluno na Escola Técnica Tupy (ETT) e com trabalhos conjuntos em empresas do grupo Tupy, ele destaca ainda sua participação em atividades do Ceaj como o projeto Narrativas, que descrevia a criação de grandes obras na cidade. “Entre várias outras obras, o teatro Harmonia Lyra, construído por seu bisavô, e ainda galpões do complexo de armazéns de trigo de Joinville”, comenta.

Único sobrinho e afilhado, Igor Hagermann atribui ao tio sua vocação, que o levou a estar atualmente em seu primeiro mandato de conselheiro regional do Crea-SC. “Ele me orientou, me ajudou e me incentivou muito durante o curso, me presenteava com livros. Era um cara muito inteligente, fluente em alemão, e sempre tinha ideias interessantes, à frente do seu tempo. Uma pessoa muito prática. Trocávamos muitas ideias. Eu o ensinei a entrar na era digital, usufruiu disso um pouco”, comenta.

Na prefeitura de Joinville, Eduardo Miers foi membro da Defesa Civil; da Comissão do Patrimônio Histórico; da Comissão de Julgamento de Obras da Prefeitura e do Comitê do Plano Diretor, além de presidente da Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPUJ). Atuou ainda no Conselho da Udesc-Joinville e como membro do conselho deliberativo e do conselho fiscal do Ceaj.

Entre os feitos da trajetória profissional de Eduardo Miers, o sobrinho destaca a atuação na Fundição e na ETT. “Ela o mandou para o Japão para trazer o know-how de lá sobre as então novas técnicas de gestão, que se tornaram populares em todo o mundo. Diante de seu conhecimento, adquirido inclusive na própria Tupy antes de entrar na Faculdade, Eduardo se tornou professor da Escola, ainda mantendo a atuação como engenheiro de processos e engenheiro de produção”.

A atuação na Tupy S.A. começou como servente de pedreiro e desenhista, ocupando funções como chefe do Departamento de Construções; chefe das divisões de Engenharia Industrial, Engenharia de Instalações e ainda do Departamento de Racionalização e Produtividade. Por quase três décadas (1958-1984), teve seu trabalho reconhecido pela empresa, sendo ainda consultor, coordenador e orientador do Programa de Credibilidade, Qualidade e Criatividade (CCQ). Além de conselheiro regional duas vezes entre as décadas de 1970 e 2000, Eduardo Miers atuou também como professor na ETT, nas faculdades de Engenharia e de Administração de Joinville (1973-1998) e ainda do colégio Santos Anjos, em Joinville.

A dedicação à Tupy era vivenciada ao lado da filha Dorita e da esposa Dóris, viajando para diversos cursos e palestras em outros países. “Assim como se dedicava à família, à Tupy, à Engenharia, ele também se voltava aos três mil discos de jazz e à harmônica que aprendeu na juventude, influenciado por Ronald Silva, o Ronald da Gaita. Meu tio viajou de moto por vários países e tinha brevê de piloto de avião, até de DC-3”.

Entre 1999 e 2010, os irmãos Paulo e Edson Marcos Machado pilotaram protótipos em aço molibdênio para competir na tradicional Mil Milhas Brasil, no autódromo paulistano de Interlagos. Durante 12 horas de competição, os carros que tinham Miers como projetista do sistema de suspensão e chefe de equipe chegaram a vencer a disputa em 1999 e ficaram em segundo lugar no ano seguinte. “Ficamos ainda em quinto ou sexto nas 100 milhas de Daytona, mas infelizmente o Miers não pôde mais viajar conosco. Era um engenheiro notável, foi uma perda muito grande”, diz o engenheiro de metalografia Paulo Machado, ex-aluno de Miers na Faculdade de Joinville. “Ele era o cara dos cálculos. Era um alemão linha dura, mas um homem extremamente capaz. Foi um cara além do seu tempo e chegou a dar aula na nossa escola de aviação”, aponta.

Igor Hagermann considera a homenagem da Láurea ao Mérito do Sistema Confea/Crea justa, apesar de prestada in memoriam. “Vejo como uma boa iniciativa para deixar uma inspiração para quem está vindo também fazer uma carreira, fundindo o conhecimento com a ética”, considera.