Bernardo van Raij

Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em 1962; Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq - USP), em 1967; Doutor em Ciência do Solo pela Agronomy Cornell University, nos Estados Unidos, em 1971; Pós-Doutor em Química do Solo na Universidade de Wagningen, na Holanda, em 1977

Nascimento: Ponta Grossa (PR), 14 de dezembro de 1939
Falecimento: Campinas (SP), 15 de outubro de 2023
Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP)

Engenheiro agrônomo, pesquisador, autor – são esses os papéis que Bernardo van Raij abraçou ao longo de seis décadas dedicadas à profissão, tendo a Ciência do Solo como o grande objeto de pesquisa. Filho de imigrantes holandeses e o mais jovem de sete irmãos, cresceu na zona rural e foi o primeiro de sua família a trilhar o caminho da universidade, transformando o sonho em realidade. Além de suas conquistas acadêmicas, é interessante mencionar que ele também teve seus momentos de destaque nas quadras, jogando basquete na cidade de Campinas, mostrando que sua habilidade não se limitava apenas aos laboratórios e às salas de aula.

Contudo, foi como pesquisador que ele se destacou como um dos nomes mais renomados do país. Sua contribuição ao meio acadêmico é inestimável, especialmente por meio de sua obra “Fertilidade do Solo e Manejo de Nutrientes”, que se tornou uma referência fundamental nas disciplinas de Química e Fertilidade do Solo em centenas de faculdades de agronomia no Brasil. Christiaan van Raij, seu filho, relembra com afeto a surpresa dos alunos ao se depararem com o professor/autor. "Muitos pediam autógrafos," comenta ele, destacando a admiração e o respeito que van Raij conquistou ao longo de sua carreira.

Outros livros dele também se tornaram referência na Ciência do Solo brasileira. Entre eles, destacam-se "Gesso Agrícola", que promoveu o uso de gesso para melhorar a fertilidade do subsolo na agricultura brasileira, e "Análise Química para Avaliação da Fertilidade de Solos Tropicais", um guia fundamental para análises de solo utilizado por pesquisadores e estudantes de pós-graduação, sendo essencial em laboratórios que empregam os métodos de análise desenvolvidos por Bernardo.  Além da produção científica, em 2014, escreveu também um romance chamado “A Planta da Vida” com grande repercussão entre os amigos da Agronomia.

A criação do Boletim 100 foi outra importante contribuição de Bernardo van Raij, uma publicação que traduz os mais atuais resultados da pesquisa em recomendações práticas para o manejo da calagem e adubação de culturas. "Meu pai sempre teve uma capacidade de síntese e de simplificar", observa Christiaan, "e acredito que por isso ele conseguiu traduzir assuntos tão técnicos em conhecimentos acessíveis para os agricultores".

No início da década de 70, ele ingressou como pesquisador científico no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde se dedicou à Ciência do Solo até sua aposentadoria, somando 53 anos de contribuição ao Instituto. Trabalhando nas seções de Pedologia, concentrou-se no estudo das propriedades eletroquímicas do solo e na resolução de problemas analíticos do laboratório de solos para fins de levantamento pedológico. Suas contribuições foram significativas para o desenvolvimento dos sistemas de classificação de solos brasileiros e para a realização de levantamentos pedológicos.

Na seção de Fertilidade do Solo e Adubação de Plantas do IAC, Bernardo focou em melhorar as análises de solo e plantas para diagnósticos nutricionais e recomendações de adubação. Seu trabalho reformulou a análise de solo e introduziu novos métodos, como o uso de resina para fósforo e ácido dietilenotriaminopentacético (DTPA) para micronutrientes.

A brilhante carreira científica do pesquisador é ainda evidenciada por mais de 100 artigos científicos publicados, nove livros, mais de 40 capítulos de livros, além de sua atuação como professor em cursos de pós-graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp-Jaboticabal), Esalq-USP, Universidade de Cornell, nos EUA, e na Universidade de Wagningen, na Holanda.

Além dessas notáveis contribuições acadêmicas, Raij também sempre se empenhou no fortalecimento da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS). Sócio desde 1963, membro do Conselho Diretor, ocupou o cargo de 2º vice-presidente de 1973 a 1975. Em 1976, participou do grupo instituído para criar a Revista Brasileira de Ciência do Solo (RBCS), da qual foi redator assistente. Em 1982, presidiu a Comissão Organizadora da XV Reunião Brasileira de Fertilidade do Solo. Ano passado, durante o Solos Floripa 2023, Bernardo van Raij foi homenageado com o título de sócio honorário da SBCS, além de ter sido chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente de 1998 a 2002.

Essa luminosa trajetória proporcionou ao profissional a condecoração com 11 prêmios, entre os quais se destacam: o International Fertilizer Award, da International Fertilizer Industry (IFA) em 1999; a Comenda da Ordem de Grão Mestre, Mérito Científico, pela Presidência da República do Brasil em 2005; o Prêmio International Plant Nutrition Institute (IPNI) do Brasil em Nutrição de Plantas, categoria sênior, concedido pela IPNI em 2010; e o Prêmio Deusa Ceres, medalha Fernando Costa, categoria pesquisa, concedido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (Aeasp) em 2010. A trajetória de Bernardo van Raij é um testemunho do impacto profundo e duradouro que um cientista dedicado pode ter em sua área de estudo e na sociedade como um todo.

Em reconhecimento às suas contribuições inestimáveis ao desenvolvimento de métodos de análises de solo e plantas, visando aprimorar a diagnose nutricional e as recomendações de adubação, pesquisas que tanto contribuíram para o nosso país, o Sistema Confea/Crea o homenageia com a inscrição nas Honrarias do Mérito 2024.